Construindo um Negócio do Zero – Parte 1 – O Básico da Startup

O termo startup vem sendo estritamente utilizado para definir empresas de tecnologia em fase inicial. É aquele período onde um empreendedor ou um grupo deles, começa a ajustar os ponteiros e construir o produto ou serviço. Uma empresa é considerada Startup até o momento que a empresa cresce a ponto de possuir um modelo de negócios sólido. Entretanto, apesar da aplicação atual deste termo, ele não é restrito apenas ao mundo da tecnologia. Curiosamente, minha Startup é uma marca de roupas voltada a um público de nicho, praticantes de Parkour.

Aqui, você vai descobrir como está sendo toda a execução.

Nesta série de posts, pretendo discorrer sobre como foi – e está sendo – o processo de criação da DCM. Não pretendo guardar segredos ou ocultar estratégias de negócio por aqui. Acredito que sendo transparente e claro, mais pessoas podem seguir o caminho e realizarem seus sonhos. Também não acho que exista mágica, quase tudo aqui pode ser encontrado em qualquer livro para empreendedores.

Como surgiu o Decimadomuro

O DCM – abreviação da marca – surgiu como uma resolução de ano novo em 2010. Desde o inicio a ideia era possuir um site/blog onde iniciantes pudessem encontrar respostas para as dúvidas que encontram ao tentar praticar Parkour. A partir da captação da audiência, eu iniciaria uma marca de roupas para praticantes de Parkour, nicho pouco explorado no Brasil.

Muitos anos passaram, o blog nasceu, cresceu e tomou corpo. A marca de roupas ameaçou sair do plano das ideias muitas vezes, mas por vários motivos – que também pretendo compartilhar em outro post – não conseguia criar vida.

Em 2013, um pouco desencantado com o retorno da comunidade em relação ao site,  deixei o domínio expirar e desisti de divulgar conteúdo relacionado ao Parkour. O site ficou fora do ar por alguns meses, mas com o passar do tempo, mais e mais pessoas me pediam para voltar com o site, mesmo que fosse apenas como arquivo. O Decimadomuro voltou, mas como era desperdício manter um espaço apenas para arquivo, comecei a produzir conteúdo novamente. Na mesma época criei o ParkourLab, um site criado para fornecer o mínimo necessário para uma pessoa iniciar no Parkour. A ideia, além da ajuda aos interessados,  era também criar um novo ponto de captação para o Decimadomuro.

Quando ainda estava na Exosphere, tracei um Canvas pessoal e comecei a organizar alguns negócios que poderiam dar certo. Quase todos tinham uma boa chance de funcionar, alguns até mais do que uma marca de roupas para Parkour. Mas todos eles falhavam num quesito importantíssimo para qualquer iniciativa: Eu não me importava com eles.

Normalmente existem dois critérios para se abraçar um negócio: 1. existe possibilidade de lucro, 2. você precisa se importar com ele. Para algumas pessoas basta o primeiro critério para começar a trabalhar e uma ideia ganhar vida. Para a maioria, como eu, um projeto precisa ter algo a mais, precisa de paixão.

Burn!

Para funcionar, a ideia deve estar queimando dentro de você.

Dentro da minha lógica pessoal, não faz sentido gastar energia com um algo que não tem importância pessoal, fazendo apenas pelo dinheiro. E ao contrário de todas as outras iniciativas, o Parkour representa uma parte esmagadora da minha vida há 10 anos, sempre como algo muito marcante. Nada fazia mais sentido do que abraçar o projeto que eu tinha enorme identificação.

Pode parecer obvio, mas muitas ideias não vingam porque no final, ninguém do time se importa com ela.

Preparando o terreno

A partir da escolha, eu precisava preparar o terreno para começar a plantar. O Parkour é muito fechado quando se trata de iniciativas comerciais e quase toda iniciativa que surgiu por lá até hoje, falhou por falta de adesão da comunidade. Por isso, quando a ideia surgiu, comecei a conversar com pessoas influentes no nicho, para ver como percebiam a iniciativa e como eu poderia criar a melhor identidade possível.

Para isso também foi necessário organizar o cenário em que o site se encontrava. O visual estava desgastado, os posts desorganizados e não existia nenhuma periodicidade nas postagens. Antes de querer vender algo para o público, eu precisava fornecer valor real para eles. Eu mesmo me consideraria uma fraude se estivesse apenas explorando uma comunidade, sem fornecer nada em troca. O que fiz na verdade foi o total oposto, criando valor e ajudando em toda organização do cenário em que o Parkour se encontrava.

Durante alguns meses todo trabalho foi criar mais conteúdo e produzir informação de valor para a comunidade. Desta forma eles me reconheceriam como um aliado,  não um predador.

Os praticantes responderam positivamente ao conteúdo e as melhorias que fomos implementando no site. Também retomamos algumas iniciativas antigas, como a pagina do facebook para aumentar o fluxo de informações sobre Parkour, e o Podcast, se tornando um excelente canal direto de comunicação com o público.

A preparação de terreno e a demonstração ao público de que você produz valor, talvez seja um dos grandes desafios de qualquer negócio atualmente. Hoje em dia é muito comum clientes recusarem marcas por não reconhecerem o valor que adicionam além do produto. Por isso, principalmente na tecnologia, onde esta demonstração é cada vez mais difícil, clientes acabam não engajando nos produtos.

semprejpg

Criando o primeiro produto

Primeiro precisamos entender o que é um produto aqui. O DCM, de fato, mesmo antes de criar o primeiro produto remunerado, já possuía alguns produtos, como o site, o podcast e o ParkourLab. Nestes casos, são produtos que não visam lucro, mas que possuem um enorme valor tanto para a comunidade que procuro me relacionar, quanto para a imagem da startup, que passa a ser reconhecida como um meio confiável de informação.

Como uma marca de roupas, o primeiro passo foi criar uma camiseta. Um produto que todos utilizam e de fácil comercialização. A ideia é sim expandir para aparatos que sejam cada vez mais próximos ao praticante, com design específico para as particularidades da atividade. Entretanto, para escolher o primeiro produto, era necessário pensar pequeno antes.

Explico o motivo a seguir.

Produto Mínimo Viável

Produto mínimo é uma pequena representação do que o seu negócio vai se tornar. Assim a camiseta veio com este propósito, testar a receptividade de um nicho. Para isto, o produto precisa demandar o menor tempo e custo possível. O MVP é um produto que está preparado para o fracasso, por isso é programado para ter o menor chance prejuízo e trazer a maior quantidade de informações sobre a preferência dos clientes.

Por isso, na primeira fase, era importante não inventar demais. Era criar a camiseta e ver como o mercado recebe a iniciativa. Sempre tomando cuidado para economizar tempo e dinheiro.

Neste ponto, é importante lembrar que MVP deve ser tão mínimo quanto viável, e muita gente acaba se esquecendo desta segunda parte.

Para nosso MVP se tornar o que queríamos, existia uma série de critérios que não podiam ser deixados de lado. O primeiro é a qualidade do tecido e da estampa. Não queríamos competir com camisetas feitas em lojas de impressão rápida, com pouca qualidade. Queríamos começar sendo reconhecidos pela atenção e detalhe do produto, nos igualando a produtos de marcas de renome no mercado. Por isso, mesmo sendo mínimo, nosso MVP precisou ser lapidado para expressar esta noção de qualidade e profissionalismo – o que é muito difícil para qualquer produto entrando em um mercado.

1506936_10152060041155906_3652584864294765427_n

Etiqueta de gola: Utilizável como máscara ninja.

Valor, valor valor

Você, leitor atento, deve ter percebido que já desgastei esta palavra aos montes por aqui, mas não é atoa. Clientes, principalmente os de nicho, só vão responder se o produto falar diretamente com eles. E isso para um primeiro nosso primeiro item era indispensável. Por outro lado eu queria trazer uma mensagem de um Parkour que já não era a mais comum entre os praticantes, a de que treinamos para ser pessoas cada vez mais fortes.

Para isso, além de criar um produto, eu precisava trabalhar uma cultura entre os praticantes. A escolha do tema da primeira camiseta foi o nome de uma rotina de treino popular entre os praticantes. Por isso, no período pré-lançamento passamos a criar desafios físicos que estimulassem a a cultura de se tornar mais forte e melhor. A ideia é transferir para os praticantes o mesmo espirito que a marca busca representar.

O tema escolhido para a camiseta foi “O Treino do Caba Macho,” uma rotina física que é voltada para desgastar os praticantes ao máximo, pelo simples ato de fazê-lo. O treino foi criado pelos praticantes do nordeste, muito conhecidos por sua força e versatilidade.

Para estimular a cultura em torno do produto, criamos um hotsite explicando exatamente como é o treino, e criada uma etiqueta explicativa para ir pendurada na camiseta. Desta forma quem já conhecia o treino sente a identificação com o produto, e quem comprar porque achou a estampa interessante, recebe toda explicação do significado.

Screenshot 2014-07-06 21.50.41

Hotsite, Caba Macho.

IMG_3751

Hangtag do Caba Macho.

Desenvolvendo a Camiseta

A decisão do design também foi extremamente enxuta. Nos inspiramos nos modelos da Nike, com letras garrafais e frases fortes. Precisávamos de um design que houvesse poucas chances de falha, mesmo sendo considerado uma concepção bastante simples. Outra decisão que precisávamos tomar eram as cores. Decidimos fazer em duas cores, branca e preta, ao invés de apenas uma. Acreditamos que com duas cores era mais fácil vender o mesmo produto para a mesma pessoa. Para isto foi necessário fazer um maior numero de camisetas. A confecção tem um número mínimo de peças por pedido, e para fazer duas cores diferentes era necessário aumentar o investimento financeiro.

O texto da camiseta também foi pensado com cuidado, pois precisava significar algo muito forte para o Parkour, mas precisava se comunicar com pessoas de fora, para não restringir tanto o público alvo.

O resultado foi bem como esperado – mais sobre isso depois no post sobre como foi feita a parte de marketing – e as camisetas acabaram sendo vendidas em dupla para a maioria dos clientes.

10314650_10152060005425906_3388746688007787831_n

Aqui, camiseta Caba Macho Preta, Masculino e Feminino.

Alguns resultados curiosos

O design simples ganhou força com o hotsite. A história de como o treino funciona acabou servindo de motivação para os que ainda não eram praticantes. Outros que já não treinavam fazia um tempo, voltaram aos treinos após comprar a camiseta. Diziam que se sentiam mal de vestir e não treinar o suficiente para representar o conceito.

Com isso, apenas o lançamento de um produto estimulou, mesmo que indiretamente, toda a comunidade do Parkour a se movimentar mais, criar mais desafios de fortalecimento e mais importante, a união e respeito entre os praticantes. A satisfação deste trabalho é indescritível. Primeiro por ver um trabalho que faço com muito amor dando certo, segundo por criar uma empresa que não apenas vende um produto, mas constrói a base para uma comunidade que respeita.

Estes foram os primeiros passos que alavancaram o DCM. Os resultados em vendas foram melhores que o esperado. Obviamente existiram muitos outros fatores que colaboraram para este sucesso inicial. Fizemos todo um trabalho de experiência de compra, marketing e divulgação, mas que vou detalhar em outros posts desta série. Por agora, achei interessante listar apenas o período da decisão e a criação do primeiro produto teste, dando inicio a tudo.

Não posso deixar de lado as pessoas incríveis que me ajudaram em todo processo de concepção. Nada aqui foi criado apenas por mim. Fui apenas um articulador no meio deste grande projeto que vem amadurecendo. Eles possuem meu eterno agradecimento.

10325412_10152076258485906_3747841026617240725_n-1

O Produto Final

Seu trabalho te trata como lixo

el-empleo-santiago-bou-grasso

É curioso como os discursos mudam dependendo de quem conta a história. Algumas pessoas nos dizem para procurar o que gostamos de fazer, e com isso sofrer menos o longo dos nossos dias, fugindo das frustrações de um trabalho que não traz prazer. Em contra partida existem os que acreditam que esta busca desvaloriza o trabalho real – seja lá o que queiram dizer com real aqui. Como escrevi num de meus artigos mais recentes do PdH, eis minha opinião sobre este debate:

Acho esse discurso sobre o tema bem bonito, uma clara demonstração de como tudo pode ser racionalizado para nos convencer que estamos bem em nossa bolha e não precisamos ficar chateados por passar 8 horas por dia fazendo algo que não nos representa nada. No meu caso, porém, não quero mais fazer parte disso. Não me leve a mal.

O incrível vídeo vencedor de 120 prêmios se chama “O Emprego” e é um curta de animação, sem diálogos que expressa o sentimento de muitas pessoas em relação a seus trabalhos. O que importa nesse debate é que não deveríamos estar fazendo coisas que não vemos valor ou importância. Não devemos tolerar humilhações e tratamentos desumanos de superiores, simplesmente porque pagam o salário. Toda discussão de fazer o que ama pode até trocar de nome, pode ser chamada de faça algo que você veja propósito ou sentido. O discurso não é para largar tudo e ser empresário, nem todos tem este perfil, nem todos querem isso. O que não queremos são pessoas sem tesão fazendo o que fazem simplesmente pelo dinheiro ou estabilidade(?), contaminando outras pessoas com sua insatisfação diária.

Acredito que quando enxergamos propósito em nossas atividades podemos executar um trabalho melhor, gerando mais qualidade para aqueles que recebem o serviço ou produto. Este pequeno detalhe pode gerar uma corrente de ações,  e num mundo ideal com pessoas fazendo apenas o que consideram valioso, todos seriam beneficiados por este movimento, tornando não apenas uma pessoa mais feliz, mas uma sociedade inteira mais satisfeita.

Eu sei, é fantasioso.

Identificando Tipos de Personalidade e Correlacionando com Características Empreendedoras

Uma das ferramentas mais impressionantes que adotei depois do meu período no bootcamp de empreendedorismo Exosphere no Chile, foi o estudo de tipos de personalidade Myers Briggs e a classificação de temperamentos de Keirsey.

Acho impressionante ter passado tantos anos trabalhando com projetos, estudando sobre formação de equipes, liderança e tudo o que envolve o mercado profissional e nunca ter ouvido sobre as aplicações desta ferramenta, tanto para auxiliar na formação de times e contratação de profissionais, quanto para o entendimento pessoal de preferencias e processos de tomada de decisão. Para quem nunca ouviu falar sobre estas classificações, sugiro que faça um teste (português ou inglês) e leia um pouco sobre as características de seu tipo de personalidade.

Para entender melhor o que é o Myers Briggs Type Indicator,  Carl Gustav Jung organizou, em seguida complementado por Katharine Cook Briggs e Isabel Briggs Myers, um questionário projetado para mensurar as preferências psicológicas de como as pessoas percebem o mundo tomam suas decisões. O resultado são dezesseis tipos, definidos por quatro dicotomias:

Mundo PreferidoE/I = Extrovertido ou Introvertido: A primeira dicotomia é relativa à fonte de energia. Você obtém suas energias em contato com outras pessoas, realizando ações, ou prefere se isolar após um longo período de exposição à ambientes sociais? Vale enfatizar que uma pessoa Extrovertida, pela definição do MBTI pode ter características de timidez e vergonha e ainda assim retirar sua energia do contato com outras pessoas.

Informação: S/N = Sensoriais ou iNtuitivas: Aqui é determinado como novas informações são interpretadas. Sensoriais são mais propensos a acreditar em informações tangíveis e concretas. Ou seja, informações que podem ser compreendidas pelos 5 sentidos. Sensoriais tendem a não acreditar em pressentimentos que parecem ter surgido sem explicação. iNtuitivos preferem confiar em informações mais abstratas ou teóricas. Pessoas iNtuitivas também se importam mais com questões futuras que seu oposto, os Sensoriais.

Decisões: T/F = Racionalistas ou Sentimentais: Estas são funções diretamente ligadas a forma que tomamos decisões, nos baseando em informações recebidas do mundo exterior. Você prefere olhar para lógica e argumentos concretos(T) ou prefere olhar pela ótica da emoção(F)? (F)Sentimentais tendem a olhar situações da perspectiva interna, buscando alcançar uma maior harmonia e consenso, sempre considerando as pessoas envolvidas. (T)Racionalistas enfrentam mais problemas para lidar com a falta de lógica ou inconsistências, buscando emitir sempre uma opinião direta para as pessoas. Sua preocupação é mais com a verdade(T) do que com o bem estar entre as pessoas(F).

Estrutura: P/J = Perceptivos ou Julgadores: Pessoas com preferencias Perceptivas sentem-se mais confortáveis com questões deixadas em aberto para novas informações e opções que seu oposto, já que Julgadores preferem que decisões seja tomadas, de forma mais decisiva.

600px-CognitiveFunctions

Logo após identificar sua classificação, você pode (e deve) ler tudo o que encontrar sobre ele. Eu garanto que vai se impressionar com a quantidade de informações claras sobre você que são revelados através deste simples questionário.

Existem entradas na Wikipédia sobre cada tipo de personalidade e paginas (inúmeras!) dedicadas a explicação de cada um. Aconselho a Personality Page para saber mais detalhes sobre sua personalidade, e a similarminds (http://similarminds.com/jung/entj.html) para algumas informações curiosas e sugestões de profissões favoráveis ou não aconselháveis. Substitua no endereço o trecho entj pelo seu tipo de personalidade (a pagina raiz é bem bagunçada).

Caso o interesse seja ainda maior. você pode buscar fóruns específicos sobre o assunto como o Personality Cafe e até mesmo brincar de classificar personagens de filmes e seriados.

Pesquisando pelo assunto, encontrei uma excelente tese de mestrado da Universidade de Santa Maria, desenvolvida pelo  Mestrando (na ocasião) Tagli Dorval Mairesse Mallmann. 

No estudo, Tagli aplicou o teste e executou experimentos na Incubadora Tecnológica de Santa Maria, identificando as características empreendedoras relacionadas a cada tipo de personalidade. O estudo completo pode ser lido através do link. Tomei a liberdade de reproduzir a tabela final do artigo e compartilhar com vocês a correlação entre características empreendedoras e os tipos MBTI.

Características Empreendedoras ESTJ ESTP ESFJ ESFP ENTJ ENTP ENFJ ENFP ISTJ ISTP ISFJ ISFP INTJ INTP INFJ INFP
Agressividade X X X X
Análise de Risco X
Autoconfiança X X
Capacidade de Aprendizagem X X
Comprometimento X X X X X X X X X
Criação de valor para a sociedade X X X X X
Criatividade X X X X
Desenvolvimento de redes de contatos X X X X X X
Envolvimento em longo prazo - - - - - - - - - - - - - - - -
Flexibilidade X X X X X
Habilidade para conduzir situações X X X X X X X X X
Independência X X
Iniciativa X X
Inovação X X X X
Liderança X X X X
Necessidade de controle X X
Necessidade de realização X X X
Orientação para resultados X X X X X X X
Originalidade X X X X X X
Otimismo X X X X
Planejamento X X X X

Vale sempre enfatizar que o método não deve, em hipótese alguma, ser utilizado como fator decisivo para contratação de funcionários ou organização de uma equipe. O comportamento de cada pessoa pode, e normalmente é, alterado ao longo da vida. É comum identificar um ponto negativo em sua personalidade e passar a se comportar de maneira diferente. Ao longo do teste você perceberá vários pontos que somos levamos a refletir e pensar: “Eu faço isso, mas estou tentando mudar”.

Seu comportamento e sua personalidade funcionam separadamente, existindo um cruzamento entre os dois em pontos específicos. O método deve ser usado como um fator norteador, jamais decisivo.

Literatura sugerida: Please Understand Me I e II, David Keirsey

Sua profissão vai deixar de existir e isso é bom

No dia 31 de Março (2014) pude acompanhar o inicio de uma discussão bem curiosa na comunidade Startup Brasil do facebook. Um taxista, não sei se é um perfil fake ou não, criou um post no mínimo curioso, reclamando da existência de um aplicativo que ajuda os usuários na difícil tarefa de arrumar uma carona.

Screenshot 2014-03-31 21.20.27

 

Esse tipo de situação é algo que podemos esperar ver cada vez mais por aí. O mundo está mudando rapidamente, a invenção de smartphones, tablets e novas plataformas de computação não apenas trouxeram mobilidade e conforto para as pessoas. Estas plataformas ampliaram as possibilidades de desenvolvimento e inovação. Carreiras estão morrendo e muitas outras vão começar a desaparecer nos próximos anos. Tudo o que puder ser automatizado e simplificado por meio da tecnologia, será feito.

O fato é que profissões morrem o tempo todo, algumas agonizam e se mantém atendendo um pequeno nicho de usuários persistentes, mas a grande maioria dos profissionais acabam abandonando o que fazem pela falta de clientes. Nesse aspecto o mundo é bem pouco democrático e ninguém se importa com os profissionais de vanguarda que estão reclamando a injustiça da moderna concorrência interferindo em seus trabalhos. Imagine quantos profissionais dedicados à revelar fotos analógicas não perderam seus empregos com a popularização das câmeras digitais e celulares com câmera? Ainda existem fotógrafos profissionais e gente que usa modelos analógicos e os serviços necessários, mas basta ver como as lojas de câmera desapareceram completamente das cidades, para notar o tamanho do impacto que tiveram nessa profissão.

E não podemos dizer que o fenômeno é ruim. Imagine você, um chofer no inicio do século XX descobre que inventaram algo chamado Carro. Uma máquina capaz de ser usada por qualquer pessoa, sem precisar de um motorista pra isso. Você logo percebe que ninguém mais vai precisar utilizar seus serviços e ainda por cima, se você quiser continuar transportando pessoas, precisará aprender a operar uma máquina completamente nova e complicada. Seu investimento no cavalo, ração, celeiro e tudo mais agora não servem mais para nada. O chofer se junta com todos seus companheiros de profissão e protesta:

“O governo deve proibir a fabricação dos carros! é um absurdo! Estão acabando com os empregos das pessoas!”

É isso que vamos ver acontecer cada vez mais. Profissionais frágeis sendo surpreendidos pela falta de demanda em suas profissões, culpando seja lá quem estiver tomando sua posição no mercado.

O taxista do inicio do post está assustado, e com razão. Agora será necessário enfrentar o aplicativo de caronas e inovar. Aprender a fornecer um serviço diferencial, modificar sua política de preços e tentar sobreviver ao equilíbrio do ecossistema capitalista, onde os melhores se destacam e os medíocres se tornam irrelevantes e desaparecem no esquecimento.

Saiba roubar sem ser punido – Um guia para empreendedores e artistas.

Como ser criativo? Parece que algumas pessoas são premiadas com este dom ao nascer, enquanto outras são fadadas a tentar e falhar, até desistirem. No modelo criado por C. Jung e aprimorado por Myers e Briggs, para dividir padrões psicológicos, apenas 4 dos 16 tipos de personalidade apresentaram criatividade como característica. E convivendo com uma pessoa representada por um dos padrões que possui criatividade como habilidade,  posso dizer, criar para eles é como levantar da cama. Quando você menos percebe, algo novo surgiu.

A notícia boa é que criatividade é um processo e pode ser desenvolvido. De fato, não existe nada secreto sobre criatividade, basta saber coletar e misturar os elementos corretos. O resto vem com o tempo e repetição.

Quando tive aulas de redação publicitária, me espantei ao descobrir que não se chama Copywrite (algo como “copia de escrita”) atoa. O método mais comum para aprender a vender produtos através da escrita, é copiando bons textos publicitários à mão, para o papel. No inicio parecia bobo, mas com o tempo você percebe que ao repetir aquelas palavras, na ordem em que são colocada e com a repetição capitando o ritmo por trás do texto, absorvemos aquelas características em nossa escrita. Tenho até um livro com centenas de textos organizados para serem copiados.

Fazemos isso porque a base inicial do nosso aprendizado é a copia, e como normalmente somos incapazes de copiar algo perfeitamente, acabamos adicionando um pouco da nossa experiência e conhecimento ao que estamos copiando.  O resultado é uma colcha de retalhos.

Austin Kleon, em seu livro Steal Like an Artist, explica isso muito bem. Em resumo, ele explica a diferença entre o bom ladrão e o mau ladrão, também chamado de plágio:

steal-like-an-artist-austin-kleon-3

Bom ladrão: Honra, estuda, rouba de muitos, dá crédito, transforma, remixa.
Mau ladrão: Denigre, tira um pedaço, rouba de um só, plagia, imita, tira vantagem.

Todo conteúdo consumido, o tempo todo, influencia o que criamos. Os livros que lemos, músicas que ouvimos, filmes que assistimos. Cada elemento serve de matéria prima para nossa criatividade. Quando menos esperamos, sem perceber, aplicamos estas referências no que vamos criar. Assim funciona a criatividade e a tal inovação.

Pega uma coisa aqui, outra ali, mistura tudo e no fim você tem algo novo, com a sua cara.

“Comece a copiar o que ama. Copie copie copie copie copie. No final da cópia, você acaba se encontrando”
- Yohji Yamamoto

O documentário chamado “Tudo é um Remix” conta a belíssima história da inovação moderna com essa perspectiva, quebrando a magia da criatividade e demonstrando seus elementos básicos: Copiar, Transformar, Combinar. E como poderá observar, este modelo serve para tudo: Tecnologia, Cinema, Música, Pintura e assim por diante.

remix4

Vale a pena assistir:

O que Flappy Bird pode te ensinar sobre criação de produtos

270231-Flappy-Bird-Teaser

Escrevi este texto inicialmente para publicar aqui no QG, mas conversando com o editor do PdH achamos que o texto caberia no editorial deles, então acabou indo para lá. O texto fala sobre alguns pontos que, claramente, não podemos ter certeza, só o próprio desenvolvedor saberia dizer se foi ou não a intencional. A observação vem de padrões emergentes no mercado, que a maioria das startups está adotando como tendência. A ideia é fazer uma observação do que está funcionando no mercado e como transformar isso em informação útil.

Como sempre, não existe receita mágica, mas podemos aprender com o que está acontecendo a nossa volta.

Fiquem com o texto:

O que Flappy Bird pode te ensinar sobre criação de produtos

Tecnologia para relações mais reais

A internet se tornou uma muleta social.

No Yank Blog lemos:

Andamos diariamente pelas ruas da cidade e não conseguimos dizer bom dia para alguém sem nos sentir travados de alguma forma. Temos o medo de fazer perguntas simples para pessoas na rua e não sabemos o motivo. Toda essa facilidade de conhecer pessoas em redes sociais criou uma barreira mental. Vemos uma pessoa na rua e a primeira pergunta que nos fazemos é: “Será que consigo acha-lo no Facebook?”. Por que para nós, clicar no botão “Adicionar Amigo” no perfil de uma pessoa que não conhecemos, é menos intimidador do que se aproximar da mesa daquela linda moça no bar e perguntar seu nome?

IF81D00Z

Foi a partir disso que um amigo sugeriu a criação um aplicativo para facilitar essa conexão entre pessoas na vida real. Utilizar a tecnologia para de fato aproximar pessoas. Quando recebi a ideia, apenas um PDF simplificado com uma sugestão, não pensei duas vezes. Como em todos os projetos que me empolgo para participar, gosto de ver um sentido maior no que estou fazendo. Ajudar pessoas tímidas na difícil tarefa de falar com um estranho na rua, para a maioria dos extrovertidos e socialmente confortáveis isso pode parecer algo bobo e não tão importante, mas quem já voltou de uma festa arrependido por não ter ido conversar com aquela pessoa, sabe bem do que estou falando.

O Yank Social tem o difícil objetivo de ajudar pessoas a se conectar na vida real, sendo uma simples base de ajuda para quem está frente a frente com uma pessoa que despertou seu interesse.

Como sempre compartilho meus projetos por aqui, trago o inicio do Yank para todos acompanharem. Lá estamos captando novos usuários por meio de convites, que vai nos ajudar a manter um crescimento ordenado e com um pouco de controle, garantindo um crescimento consciente e livre de preconceitos.

YANK OFICIAL

O que acham? Feedbacks por e-mail serão lidos e respondidos.

Grande abraço!

Minha ideia levantou milhões de dólares em investimento

4Eu amo ideias. O delicioso prazer de sentar por horas com o papel e uma caneta e desenvolver aquela ideia genial. Não só pensar na ideia inicial, mas ramificar todas as possibilidades, pensando em como tratar cada uma das situações. O céu é o limite e todo projeto tem a possibilidade de mudar a forma que vemos o mundo. Se não fosse por uma coisa: ideias não valem nada.

A primeira vez que ouvi isso fiquei pessoalmente ofendido. Sempre tive boas ideias. Sempre me percebi como uma pessoa de visão clara e ideias inovadoras. Lembro até hoje quando ouvi um amigo dizendo:

“Cara, ideia é mato.”

Mas no final das contas, descobri que sim, ideia é mato. Nasce em qualquer canto, nas piores situações e numa abundância incontrolável. Mais ainda, todas as ideias são muito parecidas, quase nenhuma ideia é verdadeiramente única. Você pode botar a mão num saco com ideias de várias pessoas e tirar várias iguais, até descritas da mesma forma.

Recentemente acordei com um amigo mandando um arquivo PDF de uma ideia que teve. A ideia estava bem descrita, com muitos detalhes apresentados. Em poucas horas já tínhamos as telas iniciais e já estávamos procurando o nome para o produto. No dia seguinte a primeira versão do site já estava no ar e já estávamos perguntando o que as pessoas achavam do esboço inicial. Hoje, pouco mais de uma semana depois, já temos data inicial de divulgação, início da fabricação e data de entrega da primeira versão. Obviamente, caso a gente valide a ideia dentro das métricas que definimos.

Apresentei esta ideia para várias pessoas que confio, buscando uma sinalização de que a direção que estava tomando era certa. Estes amigos representam o público que pretendo atacar. Surpreendentemente 5 das pessoas que viram o site me disseram que ao longo deste ano pensaram em um aplicativo como esse. Alguns viram as telas e disseram: “E cara, é exatamente isso que eu pensei em janeiro”. 

Uma ideia no papel é um conceito morto. Enquanto não validarmos e botarmos na rua, uma ideia não tem valor algum. Outras inúmeras pessoas certamente já tiveram uma idéia idêntica a essa que você está pensando agora, mas alguém vai botar em prática. Acho muito engraçado quando um produto aparece e alguém diz que já tinha pensado naquilo , que teve a ideia antes. Outro dia vi um conhecido dizer que pensou no Youtube bem antes dele existir.

“Era para estar rico agora!”

Ahan, Cláudia.

Lembro claramente no dia que isso aconteceu comigo. Estava ainda sentado na cadeira da antiga empresa que trabalhava. Eu tinha um papel e uma caneta na mão e desenhava um google glass no rosto de um bonequinho. Enquanto pensava, me veio o momento eureka. E se eu desenvolvesse um aplicativo de reconhecimento facial para Google Glass? Que buscasse numa base de suspeitos procurados e fizesse o match alertando em background as autoridades de onde o suspeito se encontrava? O portador do óculos nem saberia disso, seria apenas um emissor passivo dessa informação.

Desenhei todo modelo e ainda cheguei ao ponto da aplicação. Policiais em aeroportos poderiam utilizar um software alterado para verificar cada uma das pessoas que passassem pelo Raio X. Assim procurados teriam muito mais dificuldades em passar despercebido em meio a multidão.

Escrevi esta ideia, pensei até em baixar a API de desenvolvimento do Google Glass, mas acabei deixando pra lá. Meses depois o amigo que trabalhava na baia ao lado, no qual compartilhei a ideia me mandou um link. Lá havia a história de uma empresa que estava recebendo milhões em investimento para desenvolver o negócio exatamente como descrevi. Minha ideia, tão genial, estava recebendo milhões de dólares. Mas eu não. Eu não estava recebendo nada.

Não se apeguem a ideias. Se teve uma ideia, por mais brilhante que ela seja, coloque em prática o mais rápido possível. Valide e comece a andar. Alguém sempre está tendo o mesmo pensamento em outro lugar do mundo. No final, quem vai ganhar alguma coisa, é quem executou de alguma forma. Hoje uma amiga reclamava de um site que provê um serviço bem fraco. Ela indignada, dizia que a ideia dela era bem melhor, que eles tinham erros básicos e que não era possível aquilo faturar tanto. A única reposta que eu pude dar foi:

Sabe qual a diferença da sua ideia para a deles? É que a deles gera milhões mensais, a sua ainda está só na sua cabeça.

Como sabem sou um grande apreciador dos textos do Fakegrimlock, o dinossauro robô falante e vou finalizar com uma citação do seu livro, The Book of Awesome.

Screenshot 2013-12-11 15.54.04

PENSAR EM ESCALAR MONTANHA É MUITO MAIS FÁCIL QUE ESCALAR.
POR ISSO A MAIORIA SÓ FAZ A PRIMEIRA PARTE.
IDEIA NA CABEÇA NUNCA FALHA, NUNCA MACHUCA, NUNCA IMPORTA.
TIRE SUA IDEIA DA CABEÇA. BATA COM ELA NO MUNDO ATÉ ELE VIRAR UM LUGAR MELHOR.

A Jornada de um empreendedor

Para todos que vem me acompanhando aqui gostaria de indicar um post que acabo de publicar no site da Associação de Startups e Empreendedores Digitais, contando o que passei nesses 3 meses que estive imerso numa educação voltada para o Empreendedorismo.

Segue um trecho do texto, e o texto completo pode ser lido aqui.

Está completando 90 dias que estou em solo Chileno, vivendo uma experiência que nunca havia imaginado. Em Agosto deste ano tomei uma decisão muito importante, mas que mudou completamente a direção da minha vida. Entrei num programa de desenvolvimento de empreendedores, com o foco de aprender formas eficientes de desenvolver negócios e me inserir numa estrutura com mentores e facilitadores capacitados direcionando minhas atividades.

Aqui na Exosphere somos 30 pessoas de todo o mundo, com experiência nas mais diversas áreas. Temos um historiador Ph.D em filosofia, um especialista no mercado financeiro e uma terapeuta holística. Existem pessoas que já possuem negócios e vieram aprimorar o conhecimento através de uma nova rede de contatos. Existem também aquelas pessoas que você normalmente só ouve falar, que vivem de viajar o mundo administrando seus negócios online.  O livro 4 hours work week, do Tim Ferris, é a bíblia de muita gente aqui. Isso tudo pra deixar claro que não temos apenas pessoas da área de tecnologia planejando o próximo Facebook, exageros à parte. Temos os mais diferentes perfis provando que a metodologia aplicada é eficiente para os mais diferentes modelos de negócio.

Ler tudo

Bate-papo sobre Empreendedorismo e Marketing

Para quem vem acompanhando o QG e minha jornada no Chile, trago uma informação bem legal. Dia 5 de Dezembro o idealizador da Exosphere, Skinner Layne, e o cabeça do The Foundation, Andy Drish, estarão conversando e respondendo perguntas sobre marketing, educação e empreendedorismo num evento online.

O evento acontecerá via Google Hangout e recomendo a todos.

Nesta semana estamos tendo aulas de Marketing e Copywriting com o Andy. A quantidade de informação valiosa é assustadora.

Vale a pena conferir.

Os detalhes do evento estão disponíveis AQUI.

1150130_646735918702967_319368827_n